{"id":1,"date":"2018-07-03T20:32:00","date_gmt":"2018-07-03T20:32:00","guid":{"rendered":"https:\/\/pintoresdeletras.com.br\/blog\/?p=1"},"modified":"2024-02-06T00:55:25","modified_gmt":"2024-02-06T00:55:25","slug":"hello-world","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pintoresdeletras.com.br\/blog\/2018\/07\/03\/hello-world\/","title":{"rendered":"Tipografia Vernacular Brasileira"},"content":{"rendered":"\n<p id=\"e67f\">A produ\u00e7\u00e3o tipogr\u00e1fica brasileira come\u00e7ou a dar seus primeiro passos apenas na d\u00e9cada de 1980. At\u00e9 ent\u00e3o, o pa\u00eds n\u00e3o tinha uma tradi\u00e7\u00e3o consolidada no desenvolvimento de tipos.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"2ae5\">Nesta d\u00e9cada surgem alguns dos primeiros tipos exclusivos para marcas em projetos de identidade corporativa como os trabalhos do uruguaio radicado no Brasil Eduardo Bacigalupo para a Vasp e a Bardhal. Ambas tipografias s\u00e3o derivadas dos logotipos das empresas.<\/p>\n\n\n\n<figure data-wp-context=\"{&quot;imageId&quot;:&quot;69ea508eb4697&quot;}\" data-wp-interactive=\"core\/image\" data-wp-key=\"69ea508eb4697\" class=\"wp-block-image size-large wp-lightbox-container\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"354\" data-wp-class--hide=\"state.isContentHidden\" data-wp-class--show=\"state.isContentVisible\" data-wp-init=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on--click=\"actions.showLightbox\" data-wp-on--load=\"callbacks.setButtonStyles\" data-wp-on-window--resize=\"callbacks.setButtonStyles\" src=\"https:\/\/pintoresdeletras.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/tipografia_vernacular_1-1024x354.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-174\" srcset=\"https:\/\/pintoresdeletras.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/tipografia_vernacular_1-1024x354.jpg 1024w, https:\/\/pintoresdeletras.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/tipografia_vernacular_1-300x104.jpg 300w, https:\/\/pintoresdeletras.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/tipografia_vernacular_1-768x265.jpg 768w, https:\/\/pintoresdeletras.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/tipografia_vernacular_1-1536x530.jpg 1536w, https:\/\/pintoresdeletras.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/tipografia_vernacular_1-2048x707.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><button\n\t\t\tclass=\"lightbox-trigger\"\n\t\t\ttype=\"button\"\n\t\t\taria-haspopup=\"dialog\"\n\t\t\taria-label=\"Ampliar\"\n\t\t\tdata-wp-init=\"callbacks.initTriggerButton\"\n\t\t\tdata-wp-on--click=\"actions.showLightbox\"\n\t\t\tdata-wp-style--right=\"state.imageButtonRight\"\n\t\t\tdata-wp-style--top=\"state.imageButtonTop\"\n\t\t>\n\t\t\t<svg xmlns=\"http:\/\/www.w3.org\/2000\/svg\" width=\"12\" height=\"12\" fill=\"none\" viewBox=\"0 0 12 12\">\n\t\t\t\t<path fill=\"#fff\" d=\"M2 0a2 2 0 0 0-2 2v2h1.5V2a.5.5 0 0 1 .5-.5h2V0H2Zm2 10.5H2a.5.5 0 0 1-.5-.5V8H0v2a2 2 0 0 0 2 2h2v-1.5ZM8 12v-1.5h2a.5.5 0 0 0 .5-.5V8H12v2a2 2 0 0 1-2 2H8Zm2-12a2 2 0 0 1 2 2v2h-1.5V2a.5.5 0 0 0-.5-.5H8V0h2Z\" \/>\n\t\t\t<\/svg>\n\t\t<\/button><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Tipos exclusivos para marcas Vasp (1986) e Bardhal (1988) projetados pelo uruguaio radicado no Brasil Eduardo Bacigalupo.\n<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p id=\"318b\">Em se tratando de desenvolvimento de tipos digitais, durante esse per\u00edodo, houve poucas iniciativas, fato esse, diretamente ligado ao baixo acesso \u00e0 tecnologia e \u00e0s ferramentas espec\u00edficas para desenho e produ\u00e7\u00e3o de fontes.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"84da\">S\u00f3 em 1989 surgiu o que parece ser a primeira fonte digital brasileira com a inten\u00e7\u00e3o de se criar um desenho in\u00e9dito: Sum\u00f4, de Tony de Marco. Somente nos anos 1990 a revolu\u00e7\u00e3o digital come\u00e7aria a ter impacto direto no design de tipos no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/miro.medium.com\/v2\/resize:fit:700\/1*cQGsEpNBdNXxazchFAZj7Q.png\" alt=\"\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Fonte Sum\u00f4 (1989), de Tony de Marco, considerada a primeira fonte digital brasileira com um desenho in\u00e9dito.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p id=\"02e7\">\u00c9 nos anos 1990 que come\u00e7am a ser identificadas as duas vertentes predominantes no design tipogr\u00e1fico brasileiro. Uma est\u00e1 ligada a projetos de design corporativo, seja no sentido de marca ou mesmo de texto.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"c2c6\">Um dos marcos desta vertente est\u00e1 o desenho da Folha Serif (1994\/1995), que tornou a Folha de S. Paulo o primeiro jornal brasileiro a contar com um tipo exclusivo. Por\u00e9m, o desenvolvimento ficou a cargo de dois europeus: Lucas de Groot e Erik Spiekermann.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"1cad\">Entre os projetos desenvolvidos por brasileiros est\u00e3o a fonte para o jornal Not\u00edcias Populares (1995), de autoria de Tony de Marco e a fonte desenvolvida como parte do projeto de identidade visual da rede de postos de combust\u00edveis Graal (1998), de Fernanda Martins.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/miro.medium.com\/v2\/resize:fit:700\/1*TUIeIZCwR2hj3WNXOiqDlQ.png\" alt=\"\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Fonte desenvolvida como parte do projeto de identidade visual da rede de postos de combust\u00edveis Graal, Fernanda Martins (1998).<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p id=\"2221\">A segunda vertente est\u00e1 ligada a projetos mais ligados \u00e0 experimenta\u00e7\u00e3o e se enquadram, em sua maioria, na categoria \u201cfantasia\u201d ou display.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"1e52\">A explos\u00e3o da tipografia digital s\u00f3 chegaria de fato ao Brasil na primeira d\u00e9cada do s\u00e9culo XX, tendo um ritmo de produ\u00e7\u00e3o acelerado entre os anos de 2006 e 2007.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"9d68\">Nesse per\u00edodo, os tipos display se destacam na produ\u00e7\u00e3o nacional. Entre eles ganham \u00eanfase alguns desenhos de fontes inspirados na escrita vernacular.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/miro.medium.com\/v2\/resize:fit:700\/1*PurkmyAM2XlQrDoGvgfXrw.png\" alt=\"\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>A fonte Brasil\u00earo, criada por Crystian Cruz em 1998, \u00e9 fruto de uma an\u00e1lise de letreiros feitos \u00e0 m\u00e3o encontrados em diversas cidades brasileiras.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p id=\"f820\">A escrita vernacular est\u00e1 atrelada \u00e0 produ\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea e aut\u00eantica de letreiros ligados a uma determinada regi\u00e3o ou localidade espec\u00edfica, geralmente produzida \u00e0 margem do design oficial.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"c0c2\">Produ\u00e7\u00f5es deste tipo n\u00e3o est\u00e3o ligadas a conceitos acad\u00eamicos, principalmente \u00e0queles reminiscentes do design europeu, que formaram as ra\u00edzes do ensino do design no Brasil, baseado nos princ\u00edpios do funcionalismo e da \u201cboa forma\u201d e que n\u00e3o carrega valores, significados e s\u00edmbolos culturais aos seus trabalhos.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"9d7a\">Por\u00e9m, para o escritor e historiador Rafael Cardoso, essas produ\u00e7\u00f5es informais t\u00eam tra\u00e7os do que se pode identificar como um design brasileiro mais aut\u00eantico, com bases mais pr\u00f3ximas da cultura de um Brasil que \u00e9 misto, plural, misturado e improvisado.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"5834\">Entre as marcas das letras utilizadas nestas produ\u00e7\u00f5es est\u00e3o o distanciamento de conven\u00e7\u00f5es tipogr\u00e1ficas, demonstrado pelo pouco ou nenhum respeito por conceitos como entrelinha, hierarquia de espa\u00e7os e dimens\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"3ced\">A grafia, nem sempre precisa, vai das letras ing\u00eanuas e quase infantis do pintor amador at\u00e9 o estilo mais refinado dos profissionais. De um ponto de vista menos racionalista, s\u00e3o essas caracter\u00edsticas que trazem exclusividade e humanidade n\u00e3o s\u00f3 \u00e0s pe\u00e7as mas tamb\u00e9m \u00e0 paisagem urbana.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/pintoresdeletras.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/tipografia_vernacular_2-1024x307.jpg\" alt=\"\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Trabalho do Irm\u00e3o Ramos (I\u00e7ara\/SC) e a fonte Aben\u00e7oada, inspirada no seu trabalho.<\/em><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p id=\"ccd7\">Por\u00e9m, com a populariza\u00e7\u00e3o da impress\u00e3o digital e dos plotters de recorte em vinil ou da impress\u00e3o em grandes formatos \u2014 que trouxeram tanto um custo reduzido, mas principalmente rapidez no processo \u2014 representa uma perda de espa\u00e7o para esses profissionais.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"6947\">Apesar desta decad\u00eancia, o que se percebe de alguns anos para c\u00e1 \u00e9 uma valoriza\u00e7\u00e3o e tentativa de registro desse tipo de trabalho, seja com a publica\u00e7\u00e3o de livros, pesquisas acad\u00eamicas ou, principalmente, pela apropria\u00e7\u00e3o e transposi\u00e7\u00e3o da linguagem visual an\u00f4nima das ruas, das comunidades, para a pr\u00e1tica do design formal.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"341\" src=\"https:\/\/pintoresdeletras.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/tipografia_vernacular_3-1024x341.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-187\" srcset=\"https:\/\/pintoresdeletras.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/tipografia_vernacular_3-1024x341.jpg 1024w, https:\/\/pintoresdeletras.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/tipografia_vernacular_3-300x100.jpg 300w, https:\/\/pintoresdeletras.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/tipografia_vernacular_3-768x256.jpg 768w, https:\/\/pintoresdeletras.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/tipografia_vernacular_3-1536x512.jpg 1536w, https:\/\/pintoresdeletras.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/tipografia_vernacular_3-2048x683.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O trabalho do cartazista de supermercado vem perdendo espa\u00e7o para alternativas digitais.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p id=\"9ba9\">Dentre as formas de integrar o vernacular ao design formal est\u00e1 o processo de usar releituras ou transposi\u00e7\u00f5es de elementos visuais da linguagem vernacular e propor novas aplica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"1d4b\">Isso pode ser visto em projetos como a capa do \u00e1lbum \u201cBrasil Afora\u201d, dos Paralamas do Sucesso, que al\u00e9m dos grafismos inspirados em letreiros populares, usa tamb\u00e9m fontes digitais com inspira\u00e7\u00f5es vernaculares como a \u201cContexto\u201d, de Vin\u00edcius Guimar\u00e3es, e \u201c1Rial\u201d, de F\u00e1tima Finizola.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/miro.medium.com\/v2\/1*rMiUe8Y4sjvcG2lj347O6Q.jpeg\" alt=\"\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A capa do \u00e1lbum Brasil Afora da banda Os Paralamas do Sucesso, criada pela Tecnopop, usa v\u00e1rias fontes inspirada nos letreiramentos vernaculares.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p id=\"0edd\">F\u00e1tima Finizola, uma das principais pesquisadoras brasileiras sobre o assunto, sup\u00f5e que, ao olhar para essas produ\u00e7\u00f5es populares, o designer, visto atualmente como um reprocessador de s\u00edmbolos e linguagens, mostre certa preocupa\u00e7\u00e3o com a identidade cultural da produ\u00e7\u00e3o de design.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"c2a9\">Assim, o profissional, busca usar as refer\u00eancias de cultura popular para produzir um design bem relacionado com seu contexto social e voltado para as necessidades de seu p\u00fablico e as peculiares a seu territ\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"8b7c\">De certa forma, continua a autora, isso tamb\u00e9m ajuda a construir e legitimar um design brasileiro e proporciona uma troca de experi\u00eancias e uma amplia\u00e7\u00e3o dos horizontes das solu\u00e7\u00f5es projetuais.<\/p>\n\n\n\n<p id=\"f532\"><em>*Publicado originalmente na&nbsp;<\/em><a href=\"https:\/\/issuu.com\/letraset\/docs\/revista_letraset_0b1cd6af9777bd\" rel=\"noreferrer noopener\" target=\"_blank\"><em>revista Letraset \u2014 N\u00ba 5, set\/2016<\/em><\/a><em>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A produ\u00e7\u00e3o tipogr\u00e1fica brasileira come\u00e7ou a dar seus primeiro passos apenas na d\u00e9cada de 1980. 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